Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu a maior catástrofe climática de sua história. As chuvas que assolaram o estado por dias deixaram 169 mortos, 806 feridos e mais de 400 mil pessoas desabrigadas. Cidades inteiras foram submersas. A infraestrutura de rodovias, pontes e redes de energia levou meses para ser parcialmente restaurada.
Um ano depois, a Crônica Livre voltou a algumas das comunidades mais afetadas para verificar o que mudou — e o que ficou igual.
Em Canoas, segunda maior cidade do estado, bairros inteiros ainda apresentam marcas visíveis da inundação. Casas com paredes manchadas pela lama, terrenos vazios onde havia residências que foram demolidas, ruas com pavimentação irregular. Mas o que mais chama atenção é o que não se vê: as pessoas que ainda não voltaram.
"Minha mãe morava aqui há 40 anos. Perdeu tudo. A indenização que recebeu não deu nem para pagar o aluguel de um ano. Ela está na casa da minha irmã até hoje", conta Rodrigo Alves, 38 anos, cujo bairro no Bairro Mathias Velho foi um dos mais afetados.
Os dados do governo do estado mostram que, até abril de 2025, cerca de 60% das famílias que receberam auxílio emergencial ainda não haviam retornado às suas residências originais. O programa de reconstrução habitacional, lançado com grande alarde em julho de 2024, avança em ritmo lento — apenas 12% das unidades previstas foram entregues.
A Crônica Livre conversou com moradores, gestores públicos, pesquisadores e representantes de organizações da sociedade civil para construir um balanço honesto de um ano de reconstrução.